A Busca da Perfeição e as Frustrações
Somos tão ávidos pela perfeição que admiramos muito as máquinas e seus processos. Queremos ser rápidos nas respostas no estilo plug-and-play dos equipamentos e tão precisos como os processos que imaginamos.
Queremos ser como funcionam as máquinas, autômatos e muito precisos. Não raramente trocamos o pensar, o refletir e o projetar pelo movimento mecânico das mãos e dos pés. Como se fôssemos máquinas perfeitas: mais hardware do que software. Mal percebemos que somos imprecisos nos movimentos, filhos da imprevisibilidade - mais software do que hardware.
Este foco excessivo em processos nos leva à criação de hábitos, sem nos aperceber que toda vez que nos habituamos a fazer alguma coisa de um só jeito, estamos potencial e seriamente sujeitos às perdas. Imagino que Oscar Wilde tenha percebido esta condição ao afirmar em "De Profundis" que "a repetição é antiespiritual".
Quando os nossos processos falham, a culpa e a culpabilidade renascem forte, afetando nossas relações, em um ciclo incessante de transferência. Por outro lado, o surgimento das preocupações (pré + ocupar-se), o reforçar grande do sofrimento. Nosso vocabulário é focado intensamente em problema e todas as suas inconvenientes consequências. É como se vivêssemos em um complexo de situações não resolvidas ou que precisam ser resolvidas e não conseguimos.
Na verdade vivemos em pleno desafio, dado pela imprevisibilidade que a existência nos apresenta. Viver bem é acreditar que temos condições de superar desafios, enquanto temos energia para percebê-los, projetar alternativas de superação e agir. Está aí o conceito da inteligência existencial: perceber, projetar, decidir e agir.
Com a experiência adquirida pelos anos, em situações bem complexas, e com o uso do sentido usual de inteligência, vamos pegando o jeito e o sentido do tempo de ação e reação diante de situações mais difíceis. Esta é a energia de vida armazenada pelo aprendizado, que vamos potencializando.
Para não ficar sem resposta, espera-se que o nosso modelo mental mude para:
1. Ser profissional sem deixar de ser pessoa
2. Refletir
3. Questionar - Pontuar - Ousar dizer - Explicitar
4. Documentar - Registrar
5. Mudar para ficar sintonizado com o giro da vida
6. Gerar sempre alternativas
7. Focar sempre no resultado esperado
Em síntese o que faz a graça da vida é o desassossego, lembrando Fernando Pessoa; e o "Habituar-se a não se habituar" - máxima paradoxal de Thomas Mann _ em Montanha Mágica
Maurício César de Carvalho
Diretor da InterProjetos
WWW.interprojetos.com.br
interprojetos@interprojetos.com.br
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
O Conhecimento Descartado e a Gestão do Conhecimento
Imagine quanto conhecimento é descartado pelas empresas a todo o instante.
Sempre há uma demissão, uma rescisão de contrato, uma mobilidade qualquer de algum profissional que acumulou, durante um tempo, experiência significativa em determinado assunto ou processo. Aprendeu por si só ou por iniciativa da própria empresa e agora, por uma série de razões que não vem ao caso, o profissional deixa sua função e leva consigo um material valioso, que vai empregar em outra organização, que provavelmente também não vai aproveitar o que ele traz consigo de conhecimento.
Há anos que ouço dizer da gestão do conhecimento, sempre tratado com uma abordagem teórica, pouca prática, muito comum em nossa cultura imediatista, pragmática e pouco persistente.
São raras as instituições que lhe dão o devido valor e menos ainda as que ousam adotar o conceito.
As empresas de tecnologia da informação têm contribuído para que o tema não caia em total esquecimento; mas mesmo estas tomam o caminho equivocado porque estão mais interessadas em “documentar” os processos tecnológicos do que a configurar a base de conhecimento.
Quando se fala neste tema dentro destas empresas de TI, logo os mais apressados se lembram e relacionam o tema com os famigerados sistemas de informação. Digo famigerado porque é irritante a demasiada recorrência em oferecer o produto como salvador das circunstâncias e de aparências. Nada contra; apenas a necessidade de dizer que uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa, como diríamos nós, os bons mineiros.
Não é bem sistematizar os trâmites da informação que garante a gestão do conhecimento. Uma coisa é o processo, outra coisa é o conteúdo.
Existe uma diferença importantíssima entre a informação e o conhecimento. O conhecimento é uma informação que foi interpretada, tratada para ocasionar um desempenho de uma ação em favor de um objetivo. Uma informação não tratada ou mal tratada faz a gente ficar à mercê do imprevisível – barco sem bússola, torre de controle aéreo sem biruta.
Também não adianta a bússola apontar o sul, quando não sabemos onde fica o sul. Não adianta os painéis do avião dizerem o que dizem, se não sabemos para que servem e não conseguimos interpretá-los.
Não saber o que dizem as informações que recebemos pode nos levar a resultados imprevistos ou a não resultados. Saber interpretar as mensagens que recebemos é conhecimento, um passo à frente na geração de informações
Por isto defendemos que o mundo empresarial deveria deixar de gerir informações e passar a gerir conhecimento.
Este tratamento diferenciado é que faz da Gestão do Conhecimento um processo intencionado, sistemático e articulado inicial.
Intencionado porque é objetivado; sistemático por que exige sistematização no registro, na coleta, no processamento e na disponibilização do conhecimento gerado.
Uma informação gerada, mas não registrada e codificada, perde-se pela ação do tempo ou pelo efeito da não-recorrência. Por fim um conhecimento não disseminado e utilizado é força desperdiçada na busca da excelência.
Temos a lamentar a perda de potência quando o conhecimento não é devidamente gerido e se perde quando os profissionais deixam as organizações, levando consigo o conhecimento que gerou apenas para si. Talvez possamos considerar ser este o maior desperdício que se possa perceber; porque o conhecimento é causa preponderante na geração de resultados.
A primeira questão que aparece quando se pensa em gerir o conhecimento é a necessidade de configurar o ambiente do conhecimento como um processo; que tem início, meio e fim e, exatamente, por requerer uma sequência, precisa estar sistematizado de forma a articular as partes que geram o conhecimento integralizado.
Todo sistema de gestão precisa ser alimentado e, neste caso, o insumo ao conhecimento são as informações, que precisam, para tanto, serem tratadas e intencionalmente articuladas, para que o conhecimento se torne útil, utilizável e utilizado. O conceito de utilidade acarreta a necessidade da disponibilização aos diversos públicos, de acordo com o perfil de necessidade.
Em síntese a Gestão do Conhecimento é processo sistematizado, articulado e objetivado, que requer geração e a codificação de informações, e possibilita a disseminação e apropriação do conhecimento.
Para permitir que a gestão do conhecimento seja vista como um processo, com todos os atributos relacionados em sua definição, é preciso criar um ambiente tecnológico a que denominamos de portal do conhecimento. Neste ambiente de natureza tecnológica, as informações coletadas de diversas fontes são tratadas, articuladas, integralizadas para finalmente se disponibilizarem como conhecimento acessível.
Por isto é louvável perceber que já existem empresas que oferecem portais virtuais do conhecimento, permitindo organizar conteúdos e projetos e ainda disponibilizá-los por perfil de público, bem ao estilo de ensino a distância
Maurício César de Carvalho
Diretor da InterProjetos
WWW.interprojetos.com.br
interprojetos@interprojetos.com.br
Sempre há uma demissão, uma rescisão de contrato, uma mobilidade qualquer de algum profissional que acumulou, durante um tempo, experiência significativa em determinado assunto ou processo. Aprendeu por si só ou por iniciativa da própria empresa e agora, por uma série de razões que não vem ao caso, o profissional deixa sua função e leva consigo um material valioso, que vai empregar em outra organização, que provavelmente também não vai aproveitar o que ele traz consigo de conhecimento.
Há anos que ouço dizer da gestão do conhecimento, sempre tratado com uma abordagem teórica, pouca prática, muito comum em nossa cultura imediatista, pragmática e pouco persistente.
São raras as instituições que lhe dão o devido valor e menos ainda as que ousam adotar o conceito.
As empresas de tecnologia da informação têm contribuído para que o tema não caia em total esquecimento; mas mesmo estas tomam o caminho equivocado porque estão mais interessadas em “documentar” os processos tecnológicos do que a configurar a base de conhecimento.
Quando se fala neste tema dentro destas empresas de TI, logo os mais apressados se lembram e relacionam o tema com os famigerados sistemas de informação. Digo famigerado porque é irritante a demasiada recorrência em oferecer o produto como salvador das circunstâncias e de aparências. Nada contra; apenas a necessidade de dizer que uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa, como diríamos nós, os bons mineiros.
Não é bem sistematizar os trâmites da informação que garante a gestão do conhecimento. Uma coisa é o processo, outra coisa é o conteúdo.
Existe uma diferença importantíssima entre a informação e o conhecimento. O conhecimento é uma informação que foi interpretada, tratada para ocasionar um desempenho de uma ação em favor de um objetivo. Uma informação não tratada ou mal tratada faz a gente ficar à mercê do imprevisível – barco sem bússola, torre de controle aéreo sem biruta.
Também não adianta a bússola apontar o sul, quando não sabemos onde fica o sul. Não adianta os painéis do avião dizerem o que dizem, se não sabemos para que servem e não conseguimos interpretá-los.
Não saber o que dizem as informações que recebemos pode nos levar a resultados imprevistos ou a não resultados. Saber interpretar as mensagens que recebemos é conhecimento, um passo à frente na geração de informações
Por isto defendemos que o mundo empresarial deveria deixar de gerir informações e passar a gerir conhecimento.
Este tratamento diferenciado é que faz da Gestão do Conhecimento um processo intencionado, sistemático e articulado inicial.
Intencionado porque é objetivado; sistemático por que exige sistematização no registro, na coleta, no processamento e na disponibilização do conhecimento gerado.
Uma informação gerada, mas não registrada e codificada, perde-se pela ação do tempo ou pelo efeito da não-recorrência. Por fim um conhecimento não disseminado e utilizado é força desperdiçada na busca da excelência.
Temos a lamentar a perda de potência quando o conhecimento não é devidamente gerido e se perde quando os profissionais deixam as organizações, levando consigo o conhecimento que gerou apenas para si. Talvez possamos considerar ser este o maior desperdício que se possa perceber; porque o conhecimento é causa preponderante na geração de resultados.
A primeira questão que aparece quando se pensa em gerir o conhecimento é a necessidade de configurar o ambiente do conhecimento como um processo; que tem início, meio e fim e, exatamente, por requerer uma sequência, precisa estar sistematizado de forma a articular as partes que geram o conhecimento integralizado.
Todo sistema de gestão precisa ser alimentado e, neste caso, o insumo ao conhecimento são as informações, que precisam, para tanto, serem tratadas e intencionalmente articuladas, para que o conhecimento se torne útil, utilizável e utilizado. O conceito de utilidade acarreta a necessidade da disponibilização aos diversos públicos, de acordo com o perfil de necessidade.
Em síntese a Gestão do Conhecimento é processo sistematizado, articulado e objetivado, que requer geração e a codificação de informações, e possibilita a disseminação e apropriação do conhecimento.
Para permitir que a gestão do conhecimento seja vista como um processo, com todos os atributos relacionados em sua definição, é preciso criar um ambiente tecnológico a que denominamos de portal do conhecimento. Neste ambiente de natureza tecnológica, as informações coletadas de diversas fontes são tratadas, articuladas, integralizadas para finalmente se disponibilizarem como conhecimento acessível.
Por isto é louvável perceber que já existem empresas que oferecem portais virtuais do conhecimento, permitindo organizar conteúdos e projetos e ainda disponibilizá-los por perfil de público, bem ao estilo de ensino a distância
Maurício César de Carvalho
Diretor da InterProjetos
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